Nosso carisma, que confere uma fisionomia particular à nossa associação, se resume nesta frase: “Ser Palavra Forte de Deus” (Gn 1,2b-3). Assim, “devemos ser um só coração e uma só alma” (At 4,32), “ser sopro de vida” (Jo 20,20-23) e “ser uma carta de Cristo” (2 Cor 3,2-3)”. Desse modo, poderemos dedicar-nos eficazmente a “evangelizar para formação de comunidades”, àqueles que ainda não crêem ou já não vivem a fé recebida no Batismo. (CCR - 4 §1)
Evangelizar para Formação de Comunidades Fiéis ao nosso carisma, importa evangelizarmos sempre apartir da pessoa e fazendo continuamente apelo para as relações das pessoas entre si e com Deus. (CCR - 4 §1)
Deus se expressa de duas formas que se completam, através da
sua Palavra. Há estudos bíblicos que assinalaram dois
termos diferentes para identificar cada uma delas.
Usa "logos" quando se refere à Palavra em geral, à
mensagem já revelada por Deus, e que, portanto é
infalível e imutável.
Usa "Rhema" quando se refere a uma
Palavra específica para uma determinada
circunstância. É uma Palavra-acontecimento para um
momento concreto na vida. Se "logos" é o que
Deus já disse, o "Rhema" é o que
Ele está me dizendo neste momento específico. A Palavra já
revelada é base insubstituível, porém, nosso Deus continua falando e
se comunicando conosco para nos dirigir em cada momento e decisão da
nossa vida. O "Rhema" é a Palavra eficaz para uma
circunstância, resposta para uma pergunta e luz para um passo.
A expressão "Palavra de Deus" em grego se aplica mais
obviamente às palavras escritas e faladas daqueles que são divinamente
inspirados para colocarem a mensagem divina em linguagem humana. A
palavra em hebraico "dabar" significa
"palavra" ou "conversa". Em sentido
mais abrangente, entretanto, ela é sinônimo virtual para
Revelação. O termo "dabar" (e
algumas vezes seus equivalentes gregos, "logos" e
"Rhema"), quando aplicado a Deus, inclui não somente
fala e escrita, mas todos os sinais externos pelos quais a mente de
Deus é comunicada aos homens. Portanto, os gestos simbólicos dos
profetas e as ações expressivas dos fiéis inspirados são
formas da Palavra de Deus, enquanto esses agentes são
absorvidos no processo de autocomunicação de Deus.
Na Bíblia hebraica, "dabar" às vezes é usada como
referência para o "Verbo Divino", e em um sentido
ativo como um "evento palavra" ou
palavras proféticas. No cristianismo, o conceito do Antigo
Testamento de "evento palavra" representado por
"dabar" transferida para o Novo Testamento onde a
revelação pode ser vista como
'eventos explicados por palavras'. Assim, no Novo
Testamento, a palavra "dabar" continua a ser mais do
que um mero som, ou uma doutrina, mas refere-se a pessoas e ações,
atingindo seu clímax na encarnação de Jesus.
A Revelação executa-se por meio de
ações e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal
maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação,
manifestam e corroboram a doutrina e as realidades significadas pelas
palavras, enquanto as palavras declaram as obras e o mistério nelas
contido (D.V. 2).
“Precisamos nos amar muito e cuidar das coisas de Deus”
Gerardo da Silva Melo
Durante os dias do carnaval do ano de 1988 o
coordenador da R.C.C.
(Renovação Carismática Católica) de Araxá, Gerardo da Silva Melo
coordenou juntamente com Tia Nora e Pe. Antonio Joaquim da
Arquidiocese de Uberaba (MG), um
Retiro Espiritual para cerca de 30 jovens que
participavam do grupo de oração da R.C.C. (São Paulo
Apóstolo) que se reuniam semanalmente no salão paroquial da
Matriz de São Domingos de Gusmão em Araxá - MG.
Após este Retiro Espiritual os participantes formaram
um grupo de oração específico para jovens, reunindo-se semanalmente
aos sábados no mesmo salão paroquial. O objetivo da reunião do grupo
de jovens foi claramente exposto, primeiramente deveria servir para a
partilha e oração e, somente em seguida ser planejado
um trabalho. A reunião era sempre iniciada com músicas de animação e
louvor, apresentação dos jovens presentes, a oração do
terço mariano e a pregação da Palavra de Deus; havia ainda
momento de dinâmicas, testemunhos e orações. Em datas comemorativas
aconteciam reuniões com os familiares dos participantes como, por
exemplo, dia das mães ou dos pais. Após a reunião do grupo que
iniciava às 17h00, os jovens participavam da santa missa às 19h30min
na Matriz.
Os jovens direcionados por Gerardo Melo e Tia Nora tinham como diretor
espiritual Pe. Sérgio Paulo da Diocese de Patos de Minas que era
Reitor do Seminário Maior Maria Imaculada de Araxá. Outros adultos
acompanharam neste período os jovens, Fernando Braga, Isa Braga
Borges, (…) os seminaristas Pedro D. da Costa, Vanderci A. Santana e
Osvaldo Lopes de Camargo. Os jovens organizavam frequentemente
“Experiências de Oração” com pregação do Querigma e
“Retiros de Aprofundamento na fé” na cidade de Araxá
e em cidades vizinhas como Perdizes, Sacramento, Ibiá, Rio Paranaíba,
Frutal e outras. Participavam também de campanhas, como a do agasalho,
realizadas por eles mesmos ou em colaboração com outras organizações e
associações.
Além da reunião que já contava com a participação de cerca de 80
jovens, eles eram estimulados a participar dos trabalhos pastorais
formando para isso uma “comunidade” para assumir a
liturgia na missa das 19h30min aos domingos, uma
“comunidade” para trabalhar com o entrosamento do
grupo, que entre outras coisas fazia cartões para os participantes do
grupo de acordo com o tema da reunião ou o tempo litúrgico, uma
“comunidade” de trabalhos que ficaria responsável
pela organização de eventos, uma “comunidade” para
apresentar teatros e também a “comunidade” de música
que animava as reuniões e os encontros que o grupo realizava. Estas
“comunidades" começaram a realizar além da reunião
semanal com todo o grupo, uma outra reunião com a sua
“comunidade” menor para melhor conhecimento, partilha
e entrosamento. Os jovens que chegavam ao grupo eram constantemente
estimulados a participarem de uma dessas
“comunidades". A apresentação das comunidades era
realizada frequentemente no grupo, onde elas assumiam alternadamente a
preparação da reunião semanal.
No congresso da R.C.C. (Renovação Carismática
Católica) de 1989, realizado na cidade de
Aparecida S.P. Gerardo Melo teve a inspiração de convidar os
jovens que coordenavam o grupo e outros que eram mais assíduos às
reuniões, para fazerem uma experiência de comunidade de aliança. Nesse
congresso, Gerardo Melo teve ainda a inspiração do nome da Comunidade:
“Rhema”. Nascia assim a
“Comunidade Rhema de Aliança”. Já desde o início
Gerardo Melo disse que a Comunidade Rhema viria a se tornar uma
“comunidade de vida”. Inicialmente as reuniões eram
feitas separadamente com os membros masculinos e femininos. Após um
período de experiência os que se sentiram chamados fizeram o
compromisso por um ano, o qual é, ainda hoje, renovado anualmente.
Em 1994 a Comunidade Rhema obteve da
Câmara Municipal de Araxá o registro de
Entidade Filantrópica de Utilidade Pública Municipal.
No dia 12 de Outubro de 1996 reuniu-se na Fazendinha
do Senhor Jesus alguns membros da Comunidade Rhema de
Aliança desejosos de fazerem uma experiência de
Comunidade de Vida. Depois de consultado e obtido a
permissão do Bispo diocesano de Patos de Minas Dom João Bosco Oliver
de Faria a experiência iniciou-se em uma casa alugada à
rua São Cristóvão, Nº 15 no Centro da cidade de Araxá MG, em
Janeiro de 1997.
No dia 01 de Maio deste mesmo ano (1997) a
Comunidade Rhema ganhou uma área no bairro Fertiza à
rua Argentina de Oliveira Ferreira, 285. Foi construída nesta
área a sede da Comunidade Rhema, para onde foi
transferida em Janeiro de 1998 a
Comunidade Rhema de Vida.
"Tudo fazer em nome do Senhor Jesus"
(Col 3,17)
Pe. Manoel Romes da Silva nasceu em
20 de abril de 1969. Filho de José Ignácio da Silva e
Divina Maria da Silva é o 4º filho de uma prole de 6 irmãos. Nasceu na
região de São José da Antinha, distrito de Perdizes/MG na
fazenda Bom Sucesso numa família profundamente religiosa e
tradicionalmente católica. No dia 04 de maio deste
mesmo ano recebeu o sacramento do batismo das mãos de
Pe. Onofre Cândido Rosa, S.D.B. (futuro bispo coadjutor da diocese de
Uberlândia, posteriormente bispo de Corumbá e bispo emérito da diocese
de Jardim MS) na
Igreja Matriz de São Domingos de Gusmão em Araxá/MG. Passou a
primeira infância na fazenda de propriedade da família, vivendo a
experiência da religiosidade popular com as folias de Reis e os terços
cantados.
Com seis anos de idade a mãe mudou-se para Araxá/MG com todos os
irmãos para que pudessem estudar. Mesmo ela não tendo nenhum grau de
instrução, já que frequentou a escola por poucos meses, tempo
suficiente apenas para aprender a ler e escrever; intuiu a necessidade
de estudo para os filhos. Enquanto isso, o pai, um homem justo,
simples, alegre e fiel permaneceu ainda por cerca de dois anos na
fazenda, antes de também se mudar para a cidade. Pe. Manoel, sempre
muito tímido, evitava as pessoas, porém na escola começou a fazer as
primeiras amizades.
Começou a participar com outras crianças de um coral infantil fundado
por Josué, um senhor beato muito religioso, vizinho e amigo da família
e que frequentava a
Capela de São Geraldo Magela no bairro com o mesmo nome.
Vestidos com túnicas coloridas e pandeirinhos nas mãos, este coral
apresentava-se cantando músicas religiosas populares nas casas das
famílias por toda a cidade. Participava das missas e das festas na
>capela de São Geraldo Magela onde fez a
Primeira Comunhão.
De 1975 a 1978 fez o ensino primário na Escola
Estadual Armando Santos, em Araxá/MG.
Uma lembrança que marcou este tempo foi quando aconteceu a profanação
do
Santíssimo Sacramento na capela de São Geraldo à qual
frequentava. Chegando ali na capela, viu as imagens sagradas do
padroeiro e dos outros santos de devoção da comunidade quebradas e os
pedaços espalhados pelo presbitério e pela nave da igreja. Algumas das
imagens que não foram totalmente destruídas estavam colocadas nos
primeiros bancos da Igreja. O sacrário havia sido violado e
hóstias estavam espalhadas sobre o altar. Dias depois, participou com
mãe do ato em desagravo ao Santíssimo Sacramento, com
celebrações, orações e procissões.
De 1979 a 1983 concluiu o ensino fundamental na
Escola Estadual Maria de Magalhães, em Araxá/MG.
No ano de 1984 começou a estudar no ensino médio, o
antigo curso científico na Escola Estadual Dom José Gaspar, mas sem
projeto definido para a sua vida, indeciso, interrompeu os estudos. De
1984 a 1987 frequentou pouco a Igreja, mas continuava
participando de terços e festas religiosas.
Em 1987, com a intenção de ser aviador, alistou-se
para fazer o serviço militar obrigatório na aeronáutica na capital
Federal, Brasília /DF. Após o alistamento em
fevereiro de 1989, conheceu e começou a frequentar o
grupo de jovens da paróquia de São Domingos de Gusmão em
Araxá/MG
e desistiu do projeto de ser aviador.
Em 1989 recomeçou os estudos no curso técnico em
Química e novamente desistiu.
No início do ano de 1989, Gerardo Melo teve a
inspiração de convidar os jovens que coordenavam aquele grupo e outros
que eram mais assíduos às reuniões, para fundarem a
Comunidade Rhema. Iniciando com reuniões semanais sob
a coordenação de Gerardo Melo e a criação de uma
regra de vida. Após um período de experiência, os que
se sentiram chamados, fizeram a consagração por um ano, a qual
a partir de então, é renovada anualmente.
A partir desse momento não parou mais de estudar e conhecer os
fundamentos da sua fé.
Desde este primeiro momento foi questionado por Gerardo Melo a
respeito da
vocação ao celibato e ao sacerdócio, por meio da palavra do
profeta
Isaias 54,1 “Dá gritos de alegria, estéril, tu que não tens
filhos...”. Questionando superficialmente a possibilidade do seu chamado a vida
consagrada, não assumiu naquele momento o seu chamado.
Nos próximos anos participou de experiências de oração, estudos
bíblicos e aprofundamentos de oração na cidade e na região e de todas
as atividades que a Comunidade Rhema organizava.
Teve o seu pentecostes pessoal no dia
08 de abril de 1989 e iniciou o seu
processo de conversão.
Em 1990 retomou os seus estudos no curso técnico em
química e concluiu em 1993.
Começou a exercer o
ministério de pregação nas reuniões do grupo de jovens e
encontros de formação na cidade de Araxá e em cidades da região.
Neste período trabalhou no comércio de Araxá até
o mês novembro de 1995, quando saiu para fazer a
experiência de Comunidade de Vida.
Recebeu o sacramento da Crisma no
dia 29 de novembro de 1992 na
Igreja Matriz de São Domingos de Gusmão em Araxá MG, das mãos
de Dom João Bosco Oliver de Faria, bispo de Patos de Minas/MG.
A partir do ano de 1994, já questionando mais
seriamente a sua vocação, participou de vários encontros vocacionais
em diversos institutos religiosos.
No
dia 12 de outubro de 1995, fez uma reunião com
Gerardo Melo e outros jovens na qual decidiram iniciar uma experiência
de comunidade de vida a partir do próximo ano. A experiência começou
após a permissão do então bispo diocesano Dom João Bosco Oliver de
Faria.
No dia 14 de julho 1999, faleceu o seu pai José
Ignácio da Silva.
Durante
os anos de 2001 a 2003, cursou filosofia no Instituto
de Filosofia João Paulo II, em Uberlândia/MG. Em
22 de janeiro de 2004, faleceu o seu irmão José
Antônio da Silva.
De 2004 a 2007, cursou teologia no Seminário São José
em Uberaba/MG.
Dia 08 de fevereiro de 2008, recebeu a ordenação diaconal na
paróquia Sagrada Família Araxá/MG e no dia 29 novembro
ordenação presbiteral no
Santuário de Nossa Senhora da Abadia em Uberaba/MG; ambas das
mãos de Dom Aloisio Roque Oppermann, SCJ.
Hoje, além de
moderador geral da Comunidade Rhema, pe. Manoel Romes
exerce a função de pároco na paróquia de São
Sebastião na cidade de Pedrinópolis/MG, assessor das
Novas Comunidades da Arquidiocese de Uberaba e
diretor espiritual do seminário arquidiocesano São
José e Nossa Senhora da Abadia em Belo Horizonte.